Yin Yoga

Actualizado: 2 de nov de 2020


Ao atuar no tecido conjuntivo do corpo, aplicando tensão nos meridianos, a prática de yin yoga, além de ampliar o alcance de movimento nas articulações, equilibra os órgãos internos, restaurando a circulação de chi ao longo dos meridianos.

Pesquisas lideradas por Dr. Hiroshi Motoyana no Japão e o Dr. James Oschman no EUA apontam a possibilidade de que o tecido conjuntivo que circula por todo o corpo fornece caminhos para os fluxos de energia descritos pelos antigos orientais. Com base nessas pesquisas, Yin Yoga une os conhecimentos adquiridos por milhares de anos de prática de acupuntura e a sabedoria da yoga.

Na prática de Yin yoga, o fato de sustentarmos as posturas por períodos mais longos, nos movendo com profundidade ao mesmo tempo que deixamos os músculos relaxados, provocamos uma leve tensão nos tecidos conjuntivos mais profundos. O tecido conjuntivo percorre o corpo em suas várias formas (fáscia, tendões e ligamentos), formando uma rede, a qual, essencialmente, sustenta o corpo unido e permite que os músculos e órgãos funcionem adequadamente. A pratica de Yin Yoga afeta principalmente os ligamentos, o tecido que une osso com osso, encapsula cada articulação e contém o liquido sinovial lubrificante.

A coluna vertebral é envolvida firmemente com sete camadas de tecido conjuntivo. Ligamentos conectam a pelve à coluna e o fêmur à pelve. Muito da fluidez e do alcance de movimento no corpo depende da saúde do tecido conjuntivo. Assim como os músculos, o tecido conjuntivo começa a perder o alcance de movimento se não for exercitado. Os ligamentos começam a ressecar e a se contraírem com a idade, e essa degeneração pode ainda piorar com o sedentarismo. Os discos vertebrais que são revestidos por tecido conjuntivo também podem ressecar e perder a resiliência se não exercitamos seu alcance máximo de movimento (rotação, extensão, flexão, inclinação).

A prática de Yin yoga focaliza principalmente o tecido conjuntivo que envolve a lombar, a pelve e as articulações coxofemoral. Ao relaxarmos a musculatura em torno das articulações nessa região, aplicamos uma tensão leve e controlada no tecido conjuntivo e nos ossos. Como o tecido conjuntivo é muito mais ressecado e menos flexível que o músculo, ele não responde ao mesmo tipo de tensão que o músculo responderia. Os músculos respondem a exercícios yang – repetitivos e ativos – enquanto o tecido conjuntivo precisa de movimentos mais controlados e lentos.

Existem dois princípios que diferenciam a prática de Yin yoga de outras abordagens de yoga: posturas sustentadas por vários minutos e alongamento do tecido conjuntivo em torno de uma articulação. E para realizá-las, a musculatura deve estar relaxada, pois se os músculos estiverem contraídos o tecido conjuntivo não receberá a tensão necessária.

Não é necessário e talvez seja até impossível que todos os músculos estejam relaxados em algumas posturas de Yin Yoga. Porém, para que esses tecidos conjuntivos sejam afetados, é importante tentar relaxar ao máximo os músculos ao redor da coluna vertebral e do quadril.

Como Yin Yoga requer que os músculos ao redor do tecido conjuntivo estejam relaxados, nem todas as posturas de yoga podem ser feitas de forma eficaz ou segura. As posturas em pé, os equilíbrios dos braços e as inversões - posturas que exigem ação muscular para proteger a integridade estrutural do corpo - não podem ser feitas da maneira yin. Embora muitas poses de Yin yoga se assemelhem aos asanas clássicos de yoga, a ênfase no relaxamento muscular implica que a forma das posturas e as técnicas empregadas são ligeiramente diferentes daquelas com as quais estamos acostumados.

Em algumas pessoas, para que os músculos estejam completamente relaxados, é necessário o uso de acessórios (bloquinhos, mantas, almofadas) afim de acomodar os ossos. Por exemplo, na postura da borboleta (versão yin de Badha Konasana), pessoas com flexibilidade reduzida na região da virilha tendem a ativar os músculos da coxa, o que pode ser resolvido colocando um bloquinho para suportar os joelhos. Assim, os acessórios podem, ao permitir o relaxamento da musculatura, ajudar a alongar ou abrir o corpo, criando mais espaço para as articulações.

Ao realizar aas posturas de Yin Yoga devemos levar em consideração dois fatores que determinam o alcance de movimento e a forma como as posturas se configuram de pessoa para pessoa. O primeiro é a restrição de tensão muscular (tensile restriction), que ocorre quando nossos músculos não podem alongar além do desejado. Embora o aquecimento nos permita ampliar o alongamento muscular, quando atingimos nosso ponto de restrição, a musculatura para de alongar. O outro fator é quando nossas articulações atingem um ponto chamado de compressão articular. Um exemplo que ilustra a compressão articular é quando esticamos os cotovelos até o ponto máximo ou ainda quando sentimos o tecido beliscando entre dois ossos, como ocorre na maioria das articulações. Essa compressão ocorre nas partes mais yin do nosso corpo, como os ossos e o tecido conjuntivo.

Sabemos que muito do frustração na prática de yoga decorre do fato de que achamos que nossa prática dever ser exatamente como a do colega ao nosso lado. Também tendemos a optar por uma atitude mais yang, que aspira por mudança e nos incita ao esforço desmesurado, em detrimento da nossa natureza Yin, que é de aceitação e escuta. Quando entendemos esses dois fatores mencionados acima, "restrição na tensão muscular e compressão articular", que variam de pessoa para pessoa, é possível revestir nossa prática de yoga e nossa maneira de ensinar com mais compaixão e aceitação.

A intenção de toda prática de yoga, e da prática de Yin yoga especificamente, é manter a energia circulando no corpo. Assim, Chi, quando circula livremente promove saúde e vitalidade para todas a células.

Ao trazemos atenção para as áreas da lombar, pelve e articulação coxo-femural, com concentração mental e física, respirando com consciência e em uma atitude meditativa, é possível estimular o fluxo de Chi da mesma maneira que acontece em uma sessão de acupuntura.

De fato, seis dos 12 meridianos principais percorrem a região do quadril, pelve e lombar. Os meridianos Yang descendentes são meridiano da bexiga, estômago, e vesícula biliar. Os três meridianos Yin ascendentes são meridianos do Baço-Pâncreas, Fígado, e Rins. Todas as posturas de Yin Yoga afetam um ou mais desses meridianos. Contudo, os meridianos mais afetados por uma determinada postura pode variar de pessoa para pessoa, devidos às particularidades anatômicas de cada um.

Mais adiante publicarei um post sobre as posturas Yin na prática, os meridianos afetados para cada postura, os chacras e as emoções associados a cada meridiano, como entrar nas posturas de forma segura etc.

Para aprofundar, recomendo a leitura dos sitios web de Bernie Clark e Biff Mithoefer

Workshop Yin Yoga

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