AROMATERAPIA NO PARTO E POS-PARTO

Actualizado: 27 de sep de 2020


Dando continuidade à série de artigos sobre a aromaterapia e maternidade, seguimos com a aplicação no parto e pós parto

Parto

Pesquisas realizadas no John Radcliffe Hospital, Oxford, envolvendo mais de 8000 mulheres em trabalho de parto espontâneo, parto operatório e cesariana comprovaram a eficácia da Aromaterapia durante o trabalho de parto, tendo reduzido o uso de opióides sistêmicos de 6% a 0,4%, além de reduzir o custo e os efeitos adversos (1%), quais sejam, irritação na pele ou náusea.

Pesquisas conduzidas na Inglaterra e na Itália avaliaram os impactos da massagem com óleos essenciais na taxa de analgesia e anestesia durante o parto e os impactos da Aromaterapia na taxa de partos vaginais, respectivamente. Observou-se no estudo conduzido na Inglaterra que nas mulheres que receberam massagem houve diminuição significativa na taxa de anestesias epidural, espinhal e geral, quando comparado com as mulheres que não receberam a massagem; no segundo estudo, conduzido na Itália, observou-se que as mulheres que receberam algum tratamento aromaterápico (via inalação ou massagem) tiveram uma redução significativa de admissões na UTI neonatal, aumento da taxa de partos vaginais, redução da dor, da ansiedade e do medo.

A dor sentida pelas mães durante o parto sofre influências psíquicas, temperamentais, culturais, orgânicas e de agentes estressores externos. Michel Odent explica em seu livro “ A cientifização do amor” que no momento do parto a mulher libera uma série de hormônios (ocitocina, endorfinas, prolactina, HCTA, e outros) que se originam no cérebro, mais precisamente nas estruturas que compõem sistema límbico, nosso cérebro emocional e primitivo, o mesmo que compartilhamos com os demais mamíferos. O sistema límbico é justamente a estrutura cerebral onde atuam os OEs, cujos os mecanismos já discutimos rapidamente acima.

A estimulação da hipófise na produção e liberação de endorfinas é provavelmente um dos maiores mecanismos de atuação dos óleos essenciais durante o parto, atuando de modo a aliviar a dor e promover um estado de maior relaxamento na parturiente.

Vale lembrar que as inibições que interferem no parto se originam na capa externa do cérebro, o neocórtex, estrutura relacionada com o intelecto e o pensamento abstrato. Toda informação aprendida pelo neocórtex desperta e ativa esta capa cerebral, produzindo bloqueios na hora do parto. Em contrapartida, a diminuição da atividade do neocórtex, considerada por muitos estudiosos os aspecto mais importante da fisiologia do nascimento, permite que ocorra uma mudança de estado da parturiente, desconectando-a do mundo e permitindo-a liberar o coquetel de hormônios necessários e facilitadores do trabalho de parto.

Qualquer situação que estimule a produção de hormônios da família da adrenalina, estimula a atividade do neocórtex e pode inibir o processo: frio, mau humor, medo, auto piedade, conflitos situacionais, dúvidas e inseguranças, distrações, falta de privacidade, vergonha, excesso de toques, expectativas, internação precoce, preocupações, conversas excessivas (incluindo perguntas), ambiente muito iluminado, barulho. A mulher em trabalho de parto necessita do respeito a fisiologia de seu corpo, precisa ser permitida e permitir que seu corpo atue. Para isso é necessário sentir-se protegida, segura e apoiada, confortável, relaxada, estar em uma ambiente aconchegante, quente, agradável com penumbra e silêncio, ter privacidade, não sentir-se observada e ter liberdade.

ÓLEOS ESSENCIAIS NO PARTO

Para o alívio da dor durante o parto podemos dispor dos os óleos essenciais de Sálvia Esclaréia (Salvia Esclaréia), Camomila Romana, Lavanda, Rosa, Bergamota, Jasmim, Olíbano e Mandarina. Graças às suas propriedades terapêuticas (analgésicas) e/ou suas propriedades aromacológicas (que atuam a um nível emocional) esses óleos são extremamente salutares para redução da dor durante o trabalho de parto, pois promovem relaxamento, autoconfiança e dissipam o medo.

O óleo essencial de Sálvia esclaréia deve ser absolutamente evitado durante o período gestacional, uma vez que é estimulante das contrações uterinas, e que, por outro lado, justifica seu uso durante o trabalho de parto. Além disso, o aroma aconchegante da Sálvia eleva o campo vibracional, aportando alegria, dissolvendo dores e tristezas. Estimula a autoconfiança em momentos de vulnerabilidade e fragilidaden, traz clareza e atua na crise do pânico.

Graças a suas propriedades relaxantes e calmantes, os óleo essenciais de hortelã pimenta, gengibre e lavanda podem ajudar a aliviar os vômitos durante o trabalho de parto.

Os óleos essênciais podem ser utilizados nos diferentes estágios do parto: assim, para a redução da dor e ansiedade no início da contração pode ser utilizado a lavanda e a camomila romana; na fase de transição, o olíbano pode ajudar a reduzir a ansiedade e a Sálvia atua como estimulante das contrações, ao mesmo tempo que atua como redutor da dor; após o expulsivo, o óleo essencial de jasmim promove relaxamento, além de aumentar a contrações para a expulsão da placenta.

Pós-Parto

Alterações do humor devido às mudanças hormonais produzidas no pós-parto podem se traduzir na puérpera, de maneira mais ou menos intensa, em tristeza, ansiedade e depressão; além disso, este quadro pode ser agravado mais ainda pelo cansaço, a fadiga e a tensão que sucedem a gestação e o parto.

Nesse sentido, o pós-parto é um momento propício a intervenções terapêuticas, sendo os óleos essenciais altamente eficazes para confortar a mãe e o bebê. Não devemos esquecer que os bebês reconhecem o mundo ao redor deles através dos cheiros, e os óleos essenciais, ao serem administrados corretamente, podem ser muito eficazes para eles também (cólicas, gases, agitação, estados gripais).

ÓLEOS ESSENCIAIS NO PÓS-PARTO

Para a diminuição da melancolia maternal, tensão, ansiedade, depressão, confusão mental, rejeição do bebê, recomenda-se o uso dos mesmos óleos essenciais sugeridos na seção “Óleos essenciais na gestação”, adequando a escolha de acordo com o histórico individual da puérpera.

Para redução da dor pós-cezariana pode ser usado a lavanda. Em caso de episiotomia, pode ser feito banho de assento com a lavanda francesa ou a lavanda estóica (lavandula stoechas).

Além disso, alguns aromas podem ser eficazes apaziguadores para o recém-nascidos:

- os óleos essenciais de lavanda e camomila romana podem trazer sensação de paz, acolhimento e receptividade no caso de gravidez conturbada e estressante;

- Sálvia esclareia, petit grain e olíbano proporcionam paz, conexão com a natureza e esperança em gravidez vivida com ansiedade e complicações;

- E nos casos de gravidez repleta de tristeza, separação, abandono e insatisfação, os óleos essências de laranja doce, mandarina neroli e jasmim aportam leveza, alegria e felicidade.

A posologia e modo de administração do óleos essenciais, não somente durante o período gestacional, parto e pós-parto, mas também de forma geral, deve ser acompanhada por profissionais habilitados. Além disso, levando em conta que no pós-parto a puérpera está acompanhada do recém nascido, é absolutamente desaconselhado utilizar os óleos essenciais sem o aconselhamento de um terapeuta, haja vista a toxicidade de alguns óleos essenciais. No espaço de terapias temos o assessoramento qualificados de profissionais que podem apoiar às mulheres na experiência da maternidade e uso da aromaterapia.


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