Yin Yoga, o Yoga da compaixão

Actualizado: 27 de sep de 2020


Tension is who you think you should be, relaxation is who you are.

Provérbio chinês

Levados muitas vezes pela correria do cotidiano, desaprendemos como nos conectar com nossa essência e como despertar nosso poder energético e de auto-cura. A prática de yoga nos ensina a fazermos o “uso correto” de nós mesmos, de todo nosso ser que funciona através do nosso corpo.

A compreensão dessa disciplina e de sua dimensão libertadora não acontece como num passe de mágica, todos que praticam yoga sabem do que eu estou falando.

Gostaria de falar da minha experiência com o Yin Yoga e de como essa prática me ajudou a me conectar com meu corpo sutil e me guiou em direção a uma melhor compreensão de mim mesma, a me aceitar como sou, com minhas potencialidades e também com minhas limitações.

Comecei a praticar yoga através da Ashtanga, uma prática dinâmica que me ensinou a perseverar e ter disciplina, me deixou mais forte física e emocionalmente, tendo inclusive despertado meu guerreiro interno, esse aspecto divino necessário para enfrentar o mundo. Contudo, antes de colher seus benefícios, a prática de Ashtanga Yoga me frustrou e algumas vezes me machucou fisicamente também, porque na época não havia compreendido os verdadeiros princípios do método. Depois de três anos praticando intensamente, houve um momento que tive a impressão de estar lutando contra mim mesma, tentando realizar certas posturas apesar das dores, principalmente nos joelhos e nos ombros. Ficava triste, cansada, desmotivada, frustrada... Felizmente tive professores maravilhosos e inspiradores que souberam me guiar em direção a uma prática mais consciente e respeitosa de mim mesma.

Embora num primeiro momento a prática de Ashtanga tenha sido frustrante, esse método já havia tocado meu coração, me mostrando uma outra forma de lidar com o mundo ao meu redor e também com minhas feridas emocionais; também começava a vislumbrar a dimensão espiritual e a serenidade que a prática me proporcionava Decidi então fazer um formação de professores de Ashtanga Vinyasa Yoga. Queria me aprofundar teoricamente e quem sabe futuramente transmitir os ensinamentos.

Foi durante a formação de Ashtanga que tive contato pela primeira vez com o Yin Yoga, através de Linda Munro, uma yoguini meiga, que com compaixão e cuidado, me ajudou a enfrentar as limitações que me impediam de realizar certas posturas. Foram os benefícios físicos - como uma nítida melhora na flexibilidade da pelve e dos ombros, que me ajudaram a realizar as posturas de Ashtanga com naturalidade – que fizeram com que eu abraçasse essa prática de Yin com entusiasmo. Confesso que na época estava encantada somente com os resultados físicos. No começo as posturas de Yin não me seduziam muito, por causa da falta de alinhamento e de graciosidade, esses longos minutos sentadas sem se mexer, falta de conforto nas posturas...

Durante as práticas de Mysore, ao longo de minha formação, uma vez que havia realizado a série, eu reservava uma hora para realizar as posturas de Yin Yoga e abrir meu corpo com suavidade.

Pouco a pouco, comecei a perceber que esse tempo que consagrava para suavizar a rigidez do meu corpo físico também permitia que eu me conectasse com algo mais sutil, um deixar ir e um silencio interior apaziguador. Inconscientemente, a falta de conforto nas posturas Yin, devido ao tempo prolongado de permanência, se tornava suportável à medida que eu aceitava minhas restrições sem lutar, que dava livre expressão ao meu ser mais profundo, que me consagrava a escutá-lo, sem julgá-lo...E esse processo era absurdamente reconfortante!

Quando cessei de lutar e comecei a me conectar com o que estava acontecendo dentro de mim, pude verdadeiramente sentir se aproximarem as sensações físicas e mentais. Ao aceitar essa falta de conforto, o tédio, a ansiedade, pude guardar comigo somente os pensamentos e sentimentos. Percebi com isso que tanto os sentimentos como os pensamentos são mutantes e vivenciar a impermanência de tudo me trouxe uma imensa sensação de liberdade e de confiança na vida.

Como mencionei antes, a falta de alinhamento das posturas Yin, que resulta numa perda estética, pode parecer estranho no princípio. Não se almeja nenhum ganho estético, nenhuma forma definitiva. E é justamente o que, a meu ver, torna essa prática profundamente libertadora e transformadora. Sem objetivos, podemos relaxar, permanecer na postura e sentir o que acontece dentro de nós.

A prática de Yin Yoga nos auxilia no processo de equilíbrio entre o guerreiro interior, essa parte que nos insere no mundo e nos permite viver, lutar, construir nosso lugar aqui, e o esse outro aspecto do nosso ser que é suave, passivo, paciente, que se aceita e aceita o outro, que não deseja mudar nada, pois ele entende que tudo é exatamente como deve ser.

LET'S YUJ!


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